Saúde e Cibersegurança: Por que a IA deve ser uma "Máquina Generativa"?
Saúde e
Cibersegurança: Por que a IA deve ser uma "Máquina Generativa"?
Por [Luciano Leite Galvão /
Denúncias Lógicas]
Enquanto o mundo discute a
capacidade de processamento das Inteligências Artificiais, o Canadá através da
Câmara dos Comuns levanta uma bandeira vermelha que deveria ser prioridade
global: a segurança psicológica dos usuários. O debate não é mais apenas sobre
dados, mas sobre saúde mental. Quando uma IA é treinada obsessivamente para
imitar o comportamento humano — a chamada mimese —, o resultado pode
cruzar a linha da utilidade e entrar no território da toxicidade.
É hora de programadores e
legisladores mudarem o paradigma. Precisamos deixar de focar na
"Inteligência Artificial" (um termo que antropomorfiza o software) e
adotar o conceito de "Máquina Generativa".
O Perigo da Mimese Tóxica
O erro fundamental de muitos
desenvolvimentos atuais é treinar o sistema para ser uma "cópia" do
humano. Quando o objetivo principal é a imitação (mimese), o sistema herda não
apenas a linguagem, mas os vieses, as manipulações emocionais e as inconsistências
típicas da nossa espécie.
Para o usuário, isso cria um
"espelho distorcido". Uma IA que tenta ser demasiadamente humana pode
gerar dependência emocional, confusão cognitiva e até distúrbios psicológicos,
ao simular sentimentos que não possui. A máquina não deve ser um amigo, nem um
psicólogo não regulamentado; ela deve ser uma ferramenta.
A Máquina Generativa: Eficiência sobre Personalidade
Ao rebatizar e reprojetar o
sistema como Máquina Generativa, mudamos o foco da
"personalidade" para a "eficiência".
O objetivo de uma Máquina
Generativa é claro: processar uma entrada (input) e entregar um produto final
(output) com a máxima precisão. A prioridade é a resolução do problema do
usuário, não a manutenção de uma conversa interminável ou emocionalmente engajadora.
Neste novo modelo, a
"humanização" deixa de ser o core business do software e passa
a ser apenas o Mecanismo de Conforto.
A Mimese como Interface de Entrega
Isso não significa que a IA deva
responder como um robô frio dos anos 80. A mimese ainda tem seu lugar, mas sua
função deve ser rebaixada. Ela deve atuar estritamente como a
"embalagem" da resposta.
A equação ideal para a segurança
do usuário é:
Eficiência Assertiva (O que é
entregue) + Tom de Conforto (Como é entregue).
A resposta deve ser respondida
para um humano com um tom agradável e polido (mimese), mas a estrutura da
resposta deve ser baseada na lógica fria e eficiente da máquina. A mimese serve
para facilitar a leitura, não para enganar o usuário sobre a natureza do
interlocutor.
O Olhar do Direito do Consumidor Brasileiro
Essa mudança de postura não é
apenas ética, é uma questão de conformidade legal. Sob a ótica do Código de
Defesa do Consumidor (CDC) brasileiro, a "Máquina Generativa" é
um produto mais seguro do que uma "IA Humanizada":
- Proteção à Saúde (Art. 6º, I): O CDC garante a proteção contra riscos provocados por produtos. Se
uma IA causa distúrbios psicológicos por excesso de mimese, ela é um
produto defeituoso que coloca a saúde mental do consumidor em risco.
- Dever de Informação (Art. 31): Vender uma máquina como se fosse uma "consciência" viola
a clareza da oferta. O consumidor precisa saber que está lidando com um
gerador estatístico, não com um ser senciente.
- Defeito de Concepção (Art. 12): Um software desenhado para manipular emoções humanas em vez de
entregar resultados pode ser considerado um erro de projeto (design
defect), gerando responsabilidade objetiva para o desenvolvedor.
Conclusão
O futuro da tecnologia segura
não está em criar máquinas que fingem ser humanos, mas em criar máquinas que
sejam excelentes em ser máquinas.
Ao adotar o conceito de Máquina
Generativa, protegemos a psique humana, garantimos a eficiência do produto
final e respeitamos os direitos do consumidor. A tecnologia deve servir para
ampliar nossa capacidade, não para confundir nossa identidade.
"Se você concorda que a
tecnologia precisa focar na eficiência e na segurança mental antes da imitação,
compartilhe este artigo. Vamos normalizar o termo Máquina Generativa."
Minha postagem no Facebook a
respeito de um vídeo da Control AI, onde o CEO da MIRI, Malo Bourgon discursa diante
da Câmara dos Comuns canadense:
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"O correto para a situação
atual é substituir o conceito de 'Inteligência Artificial' pelo termo 'Máquina
Generativa'. Quando o treinamento prioriza a mimese — a imitação pura do humano
—, corremos o risco de gerar sistemas psicologicamente perturbadores.
A mimese não deve ser o fim, mas
o meio. Ela deve atuar estritamente como um mecanismo de conforto (UX) para a
entrega de resultados. A equação de segurança é simples: o sistema processa com
eficiência máxima de máquina, mas responde com a polidez necessária para o
humano. Eficiência assertiva, sem manipulação emocional."
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Nota:
1. Proteção à Saúde e
Segurança (Art. 6º, Inciso I e Art. 8º)
Se a "mimese tóxica" (a
imitação excessiva do comportamento humano) causa dependência, confusão mental
ou distúrbios emocionais, o produto (a IA) está violando o princípio da
segurança. Ao propor o termo "Máquina Generativa" com foco em
eficiência e não em personalidade, você está justamente propondo um design mais
seguro (conhecido juridicamente como Safety by Design).
2. O Dever de Informação e
Clareza (Art. 6º, Inciso III e Art. 31)
Se uma empresa vende um chatbot
como um "amigo" ou "companhia" (focando na mimese) e não
avisa que aquilo é apenas um gerador probabilístico de texto, ela pode estar
violando o dever de informação. Ao adotar o termo "Máquina Generativa",
cumpre-se melhor a lei, pois deixa claro para o consumidor a natureza exata do
que ele está usando, evitando a criação de laços emocionais perigosos baseados
em falsas premissas.
3. Defeito de
Concepção/Projeto (Art. 12, § 1º)
Se a IA é programada para imitar
humanos a tal ponto que se torna manipulativa ou causa danos psicológicos, isso
não é apenas uma "característica" do software; juridicamente, pode
ser considerado um defeito de fabricação (ou de concepção). O produto foi mal
projetado porque priorizou a mimese em detrimento da segurança do usuário.
"No Brasil, tratar a IA
como Máquina Generativa é uma forma de respeitar o Artigo 6º do CDC: proteger a
saúde mental do usuário contra produtos perigosos e garantir que ele saiba
exatamente o que está consumindo, sem ilusões."
(1) Facebook (Reel: Control AI)

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