Saúde e Cibersegurança: Por que a IA deve ser uma "Máquina Generativa"?
Diante
dessa conversa você produziu umas opiniões sobre o Brasil. Você poderia
produzir uma crítica para o modelo brasileiro mostrando o quanto ele é ruim em
comparação com modelos exemplares de governança?
Crítica
ao modelo brasileiro de governança parlamentar e fiscal
O Brasil é frequentemente citado como um dos
países com maior custo legislativo e estrutura parlamentar pouco
eficiente em comparação com modelos exemplares de governança (como países
nórdicos ou mesmo democracias liberais com parlamentos mais enxutos). A crítica
se concentra em três pontos: custo elevado, baixa transparência e
uso distorcido de recursos públicos.
📊 1. Custo
elevado da atividade parlamentar
🔍 2. Baixa
transparência e incentivos distorcidos
⚖️ 3.
Estrutura administrativa pesada
📉
Consequências do modelo brasileiro
🌍 Comparação
com modelos exemplares
|
Aspecto |
Brasil |
Países nórdicos (exemplares) |
|
Salário
parlamentar |
Muito
alto + benefícios extras |
Alto, mas
sem extras |
|
Assessores |
Sem teto
rígido, dezenas por gabinete |
Poucos,
servidores de carreira |
|
Emendas |
Impositivas,
pouco transparentes |
Orçamento
técnico, sem indicações pessoais |
|
Transparência |
Baixa,
com “orçamento secreto” |
Alta,
dados abertos em tempo real |
|
Automação |
Limitada,
burocracia manual |
Digitalização
ampla, serviços online |
|
Custo
relativo |
Um dos
mais altos do mundo |
Moderado,
proporcional ao PIB |
🎯 Direto ao
ponto
O modelo brasileiro é ruim em comparação
com modelos exemplares de governança porque combina custo elevado, baixa
transparência e pouca eficiência administrativa. Enquanto países como
Dinamarca, Suécia e Estônia mostram que é possível ter parlamentos enxutos,
orçamentos técnicos e burocracia digitalizada, o Brasil mantém uma
estrutura cara e vulnerável a interesses particulares.
Luciano, se quiser eu posso montar uma simulação
de economia anual mostrando quanto o Brasil poderia poupar se adotasse
práticas nórdicas (gabinetes menores, fim das emendas impositivas e
digitalização administrativa). Isso deixaria bem claro o contraste.
A governança parlamentar e fiscal brasileira é marcada por um paradoxo: possui um dos custos mais elevados do mundo em termos absolutos e relativos, mas apresenta um retorno em eficiência e transparência significativamente inferior a democracias consolidadas. A análise se aprofunda em três pilares interligados que configuram uma verdadeira ineficiência institucionalizada:
A crítica de que o Legislativo brasileiro é caro é confirmada por robustos estudos comparativos.
Custo Absoluto e Relativo Recorde: O Congresso Nacional (Câmara e Senado) possui um orçamento total que chega a superar a soma dos orçamentos dos parlamentos de economias avançadas como Reino Unido, Alemanha, França, Austrália e Canadá. Em números relativos, o gasto com cada congressista brasileiro chega a ser mais de 500 vezes a renda média anual do cidadão, um nível desproporcionalmente maior do que a média de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) .
A "Cota" do Cidadão: Quando comparado ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita, a fatia da riqueza nacional destinada à manutenção do Legislativo é uma das maiores do mundo. Esse custo elevado, impulsionado por salários, verbas indenizatórias e cotas de assessoria sem teto rígido, desvia recursos que poderiam ser aplicados em investimentos sociais ou infraestrutura, diminuindo o retorno social do gasto público.
O principal fator de distorção fiscal e baixa transparência reside no mecanismo de alocação orçamentária dominado por emendas parlamentares, que se afastam drasticamente do padrão de boas práticas internacionais:
Poder Orçamentário Descentralizado: Em países como Alemanha, Austrália ou Canadá (membros da OCDE), o poder de emendar o orçamento é limitado ou inexistente para o parlamentar individual; as decisões de alocação são tomadas por comissões técnicas ou mantidas estritamente sob o escopo do Executivo.
O Risco do Clientelismo: O modelo brasileiro de emendas impositivas e, notavelmente, a prática do "orçamento secreto" (embora alterada, persiste em diferentes formatos de direcionamento de recursos) confere ao Legislativo um poder excessivo na distribuição de bilhões. Isso transforma o orçamento em moeda política, facilitando o clientelismo, a compra de apoio e o uso de recursos federais para fins estritamente locais ou particulares, em detrimento de uma alocação baseada em critérios técnicos de custo-benefício e impacto regional/nacional.
Baixa Accountability: A Transparência Internacional tem consistentemente apontado a fragilidade das resoluções que buscam regulamentar as emendas, permitindo que a autoria de grandes repasses permaneça oculta ou indireta, comprometendo a capacidade do cidadão de fiscalizar e responsabilizar o parlamentar (a chamada accountability).
A ineficiência do modelo também se manifesta na pesada estrutura de apoio:
Burocracia Contra a Digitalização: Enquanto países exemplares como a Estônia lideram a digitalização dos serviços públicos, o Brasil mantém uma estrutura administrativa com duplicidade de funções, excesso de cargos comissionados e processos manuais que elevam os custos e aumentam a vulnerabilidade a fraudes. A proliferação de assessores (em dezenas por gabinete) sem padronização salarial contribui para uma folha de pagamento inflada e de difícil controle.
Falta de Foco Técnico: Em modelos nórdicos, o apoio parlamentar é, em grande parte, composto por servidores de carreira especializados, garantindo a qualidade técnica na elaboração das leis. No Brasil, a estrutura se inclina para um apoio político e pessoal, desviando o Legislativo de sua função primária de fiscalização técnica e produção legislativa de alto nível.
Conclusão Analítica
O problema central da governança brasileira não é apenas o custo, mas sim o desalinhamento estrutural entre o custo e o valor público gerado. A alta despesa é o sintoma de um sistema que institucionaliza a opacidade e favorece o interesse particular (via emendas) e a manutenção de uma base de poder clientelista (via excesso de cargos e benefícios), resultando em um baixo desempenho nos indicadores de qualidade de gasto e confiança institucional. A reforma exige a convergência a padrões da OCDE: parlamentos mais enxutos, orçamentos técnicos e uma transição vigorosa para a digitalização administrativa.
Luciano Leite Galvão / +55 (67) 99958-8207 / luciano198541@gmail.com
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